segunda-feira, 11 de abril de 2011

Corrente Sanguinea



_ Eu odeio você...

O coração de ambos se descompassava.

_ Odeio você...

Não passava de um sussurro, um ofego. Mas ela não se permitia parar. Era sua única resistência contra ele. O que não era nem de longe o suficiente para pára-lo.

Ele a queria.

Seus lábios roçavam pelo corpo molhado dela. Ele sentia o gosto da tempestade que a arrasara. Suas mãos passeam por toda a extensão de seus cabelos, bagunçados, rebeldes e despenteados. Nada pode impedir que um viciado se inebrie de sua maior tentação. Ele jogaria a liberdade para cima por aquele sabor. Ele pegaria as correntes, se enrolaria nelas e perderia a chave para tê-la sempre por perto.

As mãos que arrancaram a calça gasta e suja, as mãos que rasgaram as roupas, as mãos que tocaram os seios são mãos sedentas que de dor sofreram em busca deste toque selvagem.

Ela o odiava. Ela se odiava, a cada estremecida, a cada suspiro, a cada passo que se deixava dar em busca do encontro, do prazer.

Suas mãos já não se mantiam fechadas, estavam cobrindo aquela pele suada e bronzeada que a enlouquecia de calor. Ela podia ver suas roupas pegarem fogo se ainda as vestisse. O frio estava indo embora,totalmente. E ela tentava se desvencilhar, mas não podia, não conseguia... não queria.

Os dois cairam no carpete peludo, rolavam um sobre o outro. Sentiram juntos a necessidade e se deixaram afogar naquele mar de paixão.

A sensação de tê-lo preenchendo-a era única, ela não pensou, mas tinha a certeza de que não poderia mais viver sem aquela parte que lhe faltava. Ele.

Ele se viu acolhido, não sentiu mais o vazio. Soube que era ali onde sempre quisera estar, e cada movimento uma certeza preenchia sua mente: minha.

Estava deitada sobre ele, enquanto o sentia acariciando sua costas,e enquanto sentia as lágrimas escorrerem dos seus olhos.

_ Eu poderia devorá-la,sabia?! - ele disse,com a voz arrastada, mas divertida. Sentia-se gasto e completo.

_ Eu poderia ter te inalado, - soluçou. - poderia ter injetado em minhas veias,poderia cheirá-lo por todas as horas do meu dia.

Ele a deixou chorar,deixou que se agarrasse a ele. Deixou que ela o agredisse.

_ Porquê? Porquê? - ela perguntou desesperada. - Você só será mais um de meus vicios...

Ele segurou seus pulsos,ao mesmo tempo que se levantava e a levava junto. Obrigou-a a olhar dentro de seus olhos.

_ Não pretendo ser mais um. - disse. - Pretendo ser o único.

Ela riu, sem humor nenhum, mas riu. Riu da incredualidade do que ele disse, riu porque queria que fosse verdade.

_ Como pretende fazer isso? - perguntou, zombando dele e da esperança que a fez sentir. Se pôs de pé e seguiu até a janela, ficou olhando a tempestada que ainda caia. Lembrou de como ele a arrancara daquele beco, de como a pusera em seus ombros como uma boneca de pano e a levou para casa. Lembrou de como ele a beijara,e por mais que se achasse estúpida,tentou colocá-lo em todos os pedaços dentro dela.

Ele permaneceu olhando-a. Viu como ela tremia, como ela lutava com algo lá dentro. Com todos os pedaços quebrados,e jurou ajudá-la a se recompor.

Foi até ela. Abraçou-a. Sentiu-a suspirar.

_ Não vejo como fazer isso... - ela sussurrou cansada.

_ Não precisa saber, vai ser trabalho meu. - Virou-a de frente para ele,beijou teus lábios e sem soltá-la completamente abriu os olhos,e teve certeza de que ela o olhava.

_ Vou penetrar teus poros,vou fazê-la se abrigar a mim. - O brilho no olhar era devastador de intensidade. - Vou entrar em sua corrente sanguinea,como já você entrou na minha.

(...)